[+QP] Medo

quarta-feira, 22 de abril de 2015
O +QP (Mais Que Palavras) é um grupo no Facebook que propõe temas mensais de escrita para desenvolvermos mais nossa criatividade na hora da dissertação de textos, contos, crônicas, poesias e o que mais quisermos. É um empurrãozinho para sairmos da nossa zona de conforto e nos aventurarmos a bolar textos cada vez mais elaborados e criativos. Todo mês é selecionado um tema, mediante votação, e você tem até o último dia do mês para publicar seu texto no seu blog. Para saber mais, conheça o grupo.

FONTE

MEDO

Não existe uma única pessoa em todo o mundo que já não tenha sentido medo alguma vez na vida, é um sentimento tão natural quanto qualquer outro que está aí como uma dificuldade, uma barreira, um desafio a ser superado. Mas hoje não estou aqui para falar do medo dos outros ou mesmo do medo como um sentimento, mas sim dos meus medos.

A vida inteira tive medo e isso permanece comigo até hoje. Não sou a pessoa mais corajosa do mundo, bem longe disso, e o medo é uma coisa que tenho grande dificuldade em transpor. Some-se a isso o fato de eu ser uma pessoa tímida, e a coisa já fica bem difícil para o meu lado.

A verdade é que eu sempre tive, ainda tenho e acho que sempre terei medo de viver. Tenho medo do mundo e das pessoas. Me preocupo com a reação negativa de alguém com relação a mim e isso me incomoda muito. É difícil pra mim sair da minha casa, meu tão conhecido santuário, e encarar o mundo. Correr atrás do que eu quero e preciso, falar com pessoas, pedir ajuda e ouvir um “não”. Não sei lidar muito bem com isso.

Eu finjo que está tudo bem, que estou tranquila, mas a verdade é que estou tremendo, suando, evitando falar para não gaguejar. Não gosto de ser o centro das atenções. Acho que até deixo essas emoções bem visíveis, por mais que eu tente esconder. Qualquer bom observador notaria isso.

Quando eu era criança eu tinha pavor de ficar sozinha na escola e por isso preferia até andar com “amigas” falsas que estavam pouco se lixando para a minha companhia. Eu tinha certeza que as pessoas me olhavam quando eu estava sozinha e ficavam pensando “me menina estranha ali sozinha”. Eu me preocupava demais com a opinião dos outros. Era um tormento, um inferno.

Já na adolescência eu aprendi a aceitar a solidão, afinal era uma coisa que fazia parte de mim constantemente, e comecei a perceber que não é tão ruim assim. Eu ainda não estava tão à vontade assim, mas era um começo pelo menos. Ainda assim, houve casos que eu ficava sozinha nos intervalos por falta de companhia, a inspetora me perguntava porque eu ficava sozinha e eu era obrigada a dizer que preferia ficar sozinha, que gostava, quando na verdade eu era obrigada a ficar assim porque ninguém queria ficar perto de mim.

Hoje em dia, na fase adulta, eu aprendi a aceitar a solidão. Já não é mais um pesadelo meu, um medo ficar sozinha. Gosto até. Prefiro até. Como as coisas mudaram. Agora o ponto é que eu não quero abandonar a solidão para interagir com as pessoas porque uma coisa que não mudou é o meu medo em conversar e interagir com os outros.

Eu sei que ninguém é uma Ilha, ninguém vive sozinho. Todo mundo precisa da ajuda de todo mundo em qualquer momento da sua vida. Todo mundo precisa de ajuda de professores para estudar, precisa de um chefe para ter um trabalho e ganhar dinheiro, precisa de alguém para comprar sua casa, comprar suas coisas, ter uma vida confortável, precisa de familiares e amigos.

Ainda hoje eu estou nessa luta constante de tentar superar meu medo de conversar com as pessoas, pedir ajuda quando preciso, aprender a aceitar um “não” que não é a pior coisa do mundo. Não sei se alguma vez na vida irei superar esse medo por completo, mas desejo diminuir bastante a ponto de não me importar tanto em falar com alguém. Talvez algum dia eu veja que é benéfico pra mim conversar com as pessoas certas, acabe gostando disso e faça mais vezes. Assim o medo irá diminuir ao ponto que a coragem aumente.

Renata Carvalho
(23.04.2015)


Um comentário:

  1. Amei seu post! Tocante, verdadeiro e tão comum na vida de tantas crianças e adolescentes. Eu sempre fui uma criança tímida, adolescência Tb foi vivida assim e agora na vida adulta confesso que ainda sou tímida e meio "antissocial" embora eu me vire bem, converso clm as pessoas mas analisando seu texto percebo que deve existir algum medo em mim em relação a questões sociais . Sou feliz comigo mesma mas percebo que eh importante expandir mais meu ciclo de amizades. Parabéns pela coragem em dizer tantas coisas pessoais em seu texto, muitas pessoas vão se identificar. Bjssss

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